terça-feira, 20 de agosto de 2013

Infância Roubada?


     

    O que leva um pré-adolescente de 13 anos a matar sua família e se suicidar depois? Talvez não tenhamos explicações, até porque não sobrou ninguém para contar a história como ela realmente aconteceu. Além das questões policialescas, que não nos cabe aqui interferir ou julgar, a pergunta que fica é o que deu errado na criação dos pais da criança e na liberdade de escolha que o filho teve. Como mãe, todos se questionam onde erram. Claro que a nossa função está distante de ser considerada a mais perfeita ou livre de enganos, mas quando acontece algo errado no comportamento dos nossos filhos, logo a auto-cobrança, quando não a auto-punição, surge com vigor.

Deixo claro de antemão que todas as escolhas que nós fazemos tem consequências e somos inteiramente responsáveis por isso. Esse é o custo da autonomia, da responsabilidade e de um posicionamento ativo durante a nossa vida. Colocar a culpa nos pais não é justo, bem como responsabilizar somente a criança é insuficiente. Independente do que houve, a história dos pais, sua criação, seus valores devem ser considerados ao analisarmos o comportamento da criança. E, nesse caso, é impossível não perceber o quanto essa criança de 13 anos que está em todos os noticiários tinha poder.

O poder dado a ele, talvez com pouca maturidade para exercer ainda tais responsabilidade, era tão grande que ele já sabia dirigir e manipular arma, dados que foram divulgados pela polícia. A questão aqui, mais uma vez reforço, não é julgar se ele foi ou não o assassino, mas de avaliar diante do papel de mãe, as responsabilidade que atribuímos aos nossos filhos. E isso se inicia a partir de questões simples como será que é hora dele /dela ter um celular? Será que uma mesada funcionará para ele/ela nessa idade? Será que meu filho realmente está preparado para aprender a dirigir.

Sabemos que a idade cronológica muitas vezes não corresponde a idade percebida pelos pais ou familiares. Então, aproveite o momento polêmico e questione se o momento que você está querendo oferecer para o seu filho é o momento que ele está preparado para corresponder. Explico: Não tente apressar o desenvolvimento do seu filho, respeite as questões que são inerentes a cada fase, até porque muita responsabilidade nas mãos de quem ainda não tem maturidade pode acabar trazendo sentimentos de fracasso e isso pode abalar a relação de confiança de vocês.

O mundo pede cada vez mais adultos, e nessa corrida pela adultização, muitos perdem a oportunidade de vivenciar a infância de forma plena e sadia como deveria ser. Em vez de ensinar a atirar, ensine a amar. Em vez de ensinar a dirigir, ensine a brincar. Em vez de ensinar a pagar contas, ensine-o a ser feliz, porque essa fase vai passar e o aprendizado vai ficar.

Um cheiro,

Juliana Castro

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